Medicamentos ou cirurgia bariátrica: qual a melhor opção para emagrecer?

Medicamentos ou cirurgia bariátrica: qual a melhor opção para emagrecer?
Medicamentos ou cirurgia bariátrica: qual a melhor opção para emagrecer?

A luta contra a obesidade é um desafio global, e muitas pessoas recorrem a diferentes estratégias para alcançar a perda de peso. Entre as opções mais discutidas estão o uso de medicamentos e a cirurgia bariátrica. Mas qual dessas abordagens é a mais eficaz? E quais são os critérios para cada uma? 

Tratamento clínico: medicamentos
O tratamento medicamentoso pode ser uma opção para indivíduos que já tentaram emagrecer por meio de mudanças no estilo de vida, como dieta equilibrada e exercícios físicos, mas não obtiveram sucesso significativo. Os medicamentos para emagrecimento atuam de diferentes formas no organismo e devem ser sempre prescritos por um médico.


Principais classes de medicamentos para perda de peso

O tratamento farmacológico para perda de peso envolve diferentes mecanismos de ação, sendo indicado para indivíduos que enfrentam dificuldades na redução de peso apenas com dieta e exercícios físicos. Esses medicamentos podem atuar diretamente no sistema nervoso central para controlar o apetite ou modificar a absorção de nutrientes pelo organismo, ajudando a promover uma perda de peso mais eficaz. 

No entanto, seu uso deve ser sempre supervisionado por um profissional de saúde para minimizar riscos e garantir melhores resultados.

Os principais medicamentos usados atualmente são:

  • Inibidores de apetite (ex.: sibutramina): agem no sistema nervoso central, reduzindo a fome e aumentando a saciedade.
  • Redutores da absorção de gordura (ex.: orlistate): impedem a absorção de parte das gorduras ingeridas na alimentação.
  • Análogos do GLP-1 (ex.: liraglutida e semaglutida): regulam a saciedade e auxiliam no controle dos níveis de glicose no sangue. São medicamentos administrados via subcutânea.
  • Outros medicamentos: alguns antidepressivos e antidiabéticos têm sido usados off-label para controle do peso, mas exigem acompanhamento rigoroso.


Vantagens e Desvantagens

Existem algumas vantagens do tratamento medicamentoso: é um método menos invasivo que a cirurgia, permite uma perda de peso gradual, pode ser ajustado ou interrompido conforme a necessidade do paciente.

Apesar disso, é importante pontuar que também existem riscos quanto ao uso de medicamentos como possíveis efeitos colaterais, como boca seca, taquicardia e desconfortos gastrointestinais, a perda de peso pode ser revertida se não houver mudanças duradouras no estilo de vida e não é uma solução definitiva para a obesidade, exigindo um acompanhamento contínuo.

Lembrando que a automedicação deve ser evitada, pois o uso inadequado desses fármacos pode trazer riscos sérios à saúde, incluindo alterações metabólicas e dependência química.


Cirurgia bariátrica: para quem é indicada?

A cirurgia bariátrica é uma alternativa recomendada para indivíduos com obesidade grave, especialmente aqueles que já tentaram outras estratégias sem sucesso. A decisão por esse procedimento deve ser feita após avaliação médica criteriosa.


Critérios para indicação
Para avaliar se o indivíduo está apto para a cirurgia é necessário avaliar o histórico de tentativas de emagrecimento com métodos convencionais, como dieta e exercícios físicos, ao longo dos anos, demonstrando a necessidade de uma abordagem mais intensiva, além de avaliação pelo histórico de doenças e IMC:

  • IMC acima de 40kg/m² (obesidade grau III)
  • IMC acima de 35kg/m² (obesidade grau II) com comorbidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono;

Principais tipos de cirurgia bariátrica
Existem diferentes técnicas cirúrgicas para o tratamento da obesidade, cada uma com suas particularidades e indicações específicas. As duas abordagens mais comuns são:

  • Bypass gástrico: o bypass gástrico reduz significativamente o tamanho do estômago e altera o trajeto do intestino, limitando a absorção de calorias e nutrientes. Essa técnica promove mudanças hormonais que auxiliam no controle da fome e no metabolismo da glicose, sendo especialmente benéfica para pacientes com diabetes tipo 2.

  • Sleeve Gástrico: neste procedimento, cerca de 80% do estômago é removido, formando um tubo gástrico menor. Essa redução diminui a capacidade de ingestão de alimentos e reduz a produção do hormônio grelina, responsável pelo apetite. O sleeve gástrico mantém a absorção de nutrientes intacta, sendo uma opção para pacientes que necessitam de uma abordagem menos complexa do que o bypass.

Vantagens e Desvantagens
Assim como os medicamentos, a cirurgia bariátrica possui vantagens e desvantagens que devem ser consideradas antes da decisão pelo procedimento.


Entre os principais benefícios, destaca-se a perda de peso mais significativa e sustentada, fator essencial para pacientes com obesidade grave. Além disso, a cirurgia pode melhorar ou até reverter doenças associadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial, proporcionando uma melhor qualidade de vida. Outro ponto positivo é a maior durabilidade dos resultados quando comparados ao uso de medicamentos, desde que o paciente adote um estilo de vida saudável e siga as recomendações médicas.


Por outro lado, a cirurgia bariátrica é um procedimento invasivo, com riscos cirúrgicos e possíveis complicações pós-operatórias, como infecções, sangramentos e problemas digestivos. Além disso, a intervenção pode levar a deficiências nutricionais, exigindo suplementação contínua de vitaminas e minerais diariamente para evitar problemas de saúde a longo prazo. Outro aspecto fundamental é a necessidade de mudanças permanentes na alimentação e no estilo de vida, pois, sem um comprometimento real, há o risco de reganho de peso com o passar do tempo. Por isso, a decisão pela cirurgia deve ser tomada com cautela e sempre com acompanhamento médico especializado.


Dessa forma, a cirurgia bariátrica não deve ser vista como uma solução rápida ou um atalho para o emagrecimento. O sucesso a longo prazo depende do comprometimento do paciente com novos hábitos alimentares e acompanhamento médico contínuo.


Medicamentos ou cirurgia? Qual a melhor opção?
A escolha entre medicamentos e cirurgia bariátrica depende de diversos fatores, incluindo o grau de obesidade, histórico clínico e presença de comorbidades. Cada caso deve ser analisado individualmente por um especialista.


Para algumas pessoas, o tratamento medicamentoso pode ser suficiente quando combinado a uma reeducação alimentar e exercícios físicos. Já para quem apresenta obesidade grau III e não obteve sucesso com outras abordagens a longo prazo, a cirurgia pode ser a melhor solução.


Conclusão
O tratamento da obesidade exige uma abordagem multidisciplinar e um compromisso de longo prazo com a saúde. Tanto os medicamentos quanto a cirurgia são ferramentas auxiliares que podem facilitar o emagrecimento, mas não substituem a necessidade de um estilo de vida saudável.


Antes de optar por qualquer intervenção, é fundamental buscar orientação especializada para avaliar os riscos e benefícios de cada opção. A obesidade é uma condição complexa e requer um tratamento individualizado e bem planejado.

Texto escrito por:
Ana Paula Mendonça
Nutricionista
Maringá / PR

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